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Melasma: o que acontece na sua pele e por que ele é tão difícil de tratar

  • Sinapse
  • há 5 horas
  • 4 min de leitura

Se você já tentou tratar o melasma e sentiu que ele voltava mesmo com todo o cuidado, saiba que isso não é falta de disciplina — é biologia. O melasma é uma das condições de hiperpigmentação mais complexas da dermatologia, e entender o que acontece dentro da pele é o primeiro passo para tratá-lo com eficácia.


O que é a melanogênese?

A melanogênese é o processo pelo qual a pele produz melanina — o pigmento responsável pela coloração da pele, dos cabelos e dos olhos. Esse processo ocorre nos melanócitos, células especializadas localizadas na camada basal da epiderme, e é regulado por fatores genéticos, hormonais e ambientais (MORAES, 2022).

No centro desse mecanismo está uma enzima chamada tirosinase. É ela quem catalisa a etapa limitante da cascata bioquímica: a conversão do aminoácido L-tirosina em dopaquinona. Sem a tirosinase funcionando, a melanina simplesmente não é produzida — e é exatamente por isso que a maioria dos ativos clareadores do mercado atua inibindo essa enzima (WANG et al., 2024).

A cascata completa segue este caminho:

L-Tirosina → DOPA → Dopaquinona → Dopacromo → 5,6-diidroxiindol → Melanina

Cada etapa dessa cadeia representa um alvo terapêutico potencial no tratamento do melasma.


Por que o melasma acontece?

Em condições normais, a produção de melanina é uma resposta protetora da pele à radiação ultravioleta. O problema surge quando esse sistema se desregula e passa a produzir melanina em excesso, de forma irregular e concentrada — formando as manchas acastanhadas características do melasma.

Estudos recentes reconhecem o melasma como um distúrbio de hiperpigmentação crônico e recidivante, impulsionado por interações complexas entre predisposição genética, flutuações hormonais, exposição UV, estresse oxidativo, inflamação e fotoenvelhecimento (LIAO et al., 2026). Os principais gatilhos são:

  • Radiação UV e luz visível — especialmente a luz de alta energia (400–450 nm), capaz de reativar o melasma mesmo em dias nublados (MORGADO-CARRASCO et al., 2022)

  • Hormônios — estrogênio e progesterona estimulam diretamente os melanócitos, o que explica a alta prevalência em mulheres que usam anticoncepcionais ou estão grávidas (ZHANG et al., 2025)

  • Predisposição genética — estudos brasileiros identificaram predisposição aumentada em 41–61% em parentes de primeiro grau, com padrão de herança autossômico dominante (SARKAR; BANSAL; GOLD, 2025)

  • Calor e estresse oxidativo — fatores que amplificam a atividade melanogênica independente da exposição solar

Além disso, a melanina produzida não fica restrita ao melanócito. Ela é transferida para os queratinócitos vizinhos — onde cada melanócito mantém conexão com cerca de 36 queratinócitos, formando as chamadas unidades de melanina epidérmica (PIĘTOWSKA; NOWICKA; SZEPIETOWSKI, 2022). No melasma, esse transporte está hiperativado, o que amplia a área afetada e dificulta o tratamento.


Por que o melasma é tão difícil de tratar?

Porque ele age em múltiplas frentes ao mesmo tempo. Pesquisas recentes passaram a reconhecer o melasma não apenas como um distúrbio de pigmentação epidérmica, mas como uma condição de disfunção do microambiente dérmico, envolvendo alterações de barreira, transporte anormal de melanossomas e modulação imune (MIAO et al., 2025).

Não basta, portanto, inibir a tirosinase se o transporte de melanossomas continua ativo. Não basta bloquear a transferência se a radiação UV continua reativando a produção. E não basta fazer um procedimento se a fotoproteção não for rigorosa no dia a dia.

É por isso que o tratamento eficaz exige um protocolo combinado, que atue em cada etapa da cadeia:

  1. Inibição da tirosinase — ácido kójico, arbutina, vitamina C

  2. Bloqueio da transferência de melanossomas — niacinamida

  3. Renovação celular — peelings com ácido glicólico, mandélico ou tranexâmico

  4. Potencialização da absorção dos ativos — microagulhamento com Drug Delivery, que aumenta em até 500% a penetração dos ativos nas camadas mais profundas da epiderme

  5. Fotoproteção rigorosa — FPS 50+ todos os dias, com reaplicação, incluindo proteção contra luz visível


O papel do profissional de estética

Para o profissional de estética, compreender a fisiopatologia do melasma é essencial para montar protocolos coerentes e explicar ao paciente por que o tratamento exige consistência e múltiplas frentes de ação.

Técnicas como o microagulhamento com Drug Delivery se destacam justamente por atuarem onde os produtos tópicos convencionais têm limitação: nas camadas mais profundas da epiderme, onde a melanogênese acontece. Quando combinado com ativos clareadores de qualidade, o resultado é significativamente superior ao uso tópico isolado.

Para o paciente, o recado é simples: o melasma tem controle, mas exige protocolo, paciência e — acima de tudo — protetor solar todos os dias, sem exceção.


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Referências Bibliográficas

LIAO, T. et al. Targeting Melasma: Innovations in Pigment Deposition and Photoaging in Cosmetic Dermatology. Journal of Cosmetic Dermatology, v. 25, n. 1, 2026. DOI: 10.1111/jocd.70665

MIAO, F. et al. Unraveling Melasma: From Epidermal Pigmentation to Microenvironmental Dysregulation. Biology, v. 14, n. 10, p. 1402, 2025. DOI: 10.3390/biology14101402

MORAES, I. N. (Ed.). Tratado de Clínica Cirúrgica. São Paulo: Atheneu, 2022.

MORGADO-CARRASCO, D. et al. Melasma: The need for tailored photoprotection to improve clinical outcomes. Photodermatology, Photoimmunology & Photomedicine, v. 38, n. 5, p. 412–421, 2022. DOI: 10.1111/phpp.12783

PIĘTOWSKA, Z.; NOWICKA, D.; SZEPIETOWSKI, J. C. Understanding Melasma — How Can Pharmacology and Cosmetology Procedures and Prevention Help to Achieve Optimal Treatment Results? A Narrative Review. International Journal of Environmental Research and Public Health, v. 19, n. 19, p. 12084, 2022. DOI: 10.3390/ijerph191912084

SARKAR, R.; BANSAL, A.; GOLD, M. Evolution of Pathogenesis and Trends in the Treatment of Melasma in Last Two Decades. Journal of Cosmetic Dermatology, v. 24, n. 1, 2025. DOI: 10.1111/jocd.16758

WANG, F. et al. The biochemistry of melanogenesis: an insight into the function and mechanism of melanogenesis-related proteins. Frontiers in Molecular Biosciences, v. 11, 2024. DOI: 10.3389/fmolb.2024.1440187

ZHANG, J. et al. Hormonal Crosstalk in Melasma: Unraveling the Dual Roles of Estrogen and Progesterone in Melanogenesis. International Journal of Molecular Sciences, v. 26, n. 22, p. 10856, 2025. DOI: 10.3390/ijms262210856

Artigo elaborado pela equipe Sinapse Estética com base em literatura científica indexada (PubMed/NCBI). As informações têm caráter educativo e não substituem a avaliação de um profissional de saúde habilitado.




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